terça-feira, 25 de junho de 2013

Avestruz
Mário Prata


O filho de uma grande amiga pediu, de presente pelos seus dez anos,  uma avestruz. Cismou, fazer o quê? Moram em um apartamento em Higienópolis, São Paulo. E ela me mandou um e-mail dizendo que a culpa era minha. Sim, porque foi aqui ao lado de casa, em Floripa, que o menino conheceu as avestruzes. Tem uma plantação, digo, criação deles. Aquilo impressionou o garoto.
Culpado, fui até o local saber se eles vendiam filhotes de avestruzes. E se entregavam em domicílio.
E fiquei a observar a ave. Se é que podemos chamar aquilo de ave. A avestruz foi um erro da natureza, minha amiga. Na hora de criar a avestruz, deus devia estar muito cansado e cometeu alguns erros. Deve ter criado primeiro o corpo, que se assemelha, em tamanho, a um boi. Sabe quanto pesa uma avestruz? Entre 100 e 160 quilos, fui logo avisando a minha amiga. E a altura pode chegar a quase três metros. 2,7 para ser mais exato.
Mas eu estava falando da sua criação por deus. Colocou um pescoço que não tem absolutamente nada a ver com o corpo. Não devia mais ter estoque de asas no paraíso, então colocou asas atrofiadas. Talvez até sabiamente para evitar que saíssem voando em bandos por aí assustando as demais aves normais.
Outra coisa que faltou foram dedos para os pés. Colocou apenas dois dedos em cada pé. 
Sacanagem, Senhor!
Depois olhou para sua obra e não sabia se era uma ave ou um camelo. Tanto é que logo depois, Adão, dando os nomes a tudo que via pela frente, olhou para aquele ser meio abominável e disse: Struthio camelus australis. Que é o nome oficial da coisa. Acho que o struthio deve ser aquele pescoço fino em forma de salsicha.
Pois um animal daquele tamanho deveria botar ovos proporcionais ao seu corpo. Outro erro. É grande, mas nem tanto. E me explicava o criador que elas vivem até os setenta anos e se reproduzem plenamente até os quarenta, entrando depois na menopausa, não têm, portanto, TPM. Uma avestruz com TPM é perigosíssima!
Podem gerar de dez a trinta crias por ano, expliquei ao garoto, filho da minha amiga. Pois ele ficou mais animado ainda, imaginando aquele bando de avestruzes correndo pela sala do apartamento.
Ele insiste, quer que eu leve uma avestruz para ele de avião, no domingo. Não sabia mais o que fazer.
Foi quando descobri que elas comem o que encontram pela frente, inclusive pedaços de ferro e madeiras. Joguinhos eletrônicos, por exemplo. máquina digital de fotografia, times inteiros de futebol de botão e, principalmente, chuteiras. E, se descuidar, um mouse de vez em quando cai bem.
Parece que convenci o garoto. Me telefonou e disse que troca o avestruz por cinco gaivotas e um urubu.
Pedi para a minha amiga levar o garoto num psicólogo. Afinal, tenho mais o que fazer do que ser gigolô de avestruz.

Avestruz
Objetivos:
Ativar os conhecimentos prévios;
Desenvolver a capacidade de inferência;
Explorar elementos constitutivos da crônica;
Leitura e Produção de texto "Crônica".

Recursos utilizados:
Texto impresso com o texto "Avestruz" de Mário Prata;
 Cadernos do aluno que contém o mesmo texto, Dicionários, livros, imagens impressas e folhas para desenho.
Obs. Também Poderia ocorrer o uso da sala de informática para pesquisas sobre os itens tratados e ou citados no texto.

Desenvolvimento:
Apresentação do Gênero por meio de oralidade sobre o avestruz;
Levantamento de hipóteses;
Roda de Leitura de outras crônicas;
Leitura de relatos sobre bichos de estimação;
Pesquisa na internet;
Atividades complementares com questões que abordem o tema animal de estimação entre outras.

Avaliação
Verificação do desenvolvimento dos alunos sempre dando uma devolutiva explicativa. Focando muito a  parte de leitura, interpretação e produção de texto.

Referências Bibliográficas

ROJO, R; CORDEIRO, GLAIS SALES, Gêneros orais e escritos na escola.
Campinas, São Paulo: Mercado de Letras, 2004.

BRASI, Secretaria de Educação Fundamental, Parâmetros currículares nacionais. Língua portuguesa de 5ª a 8ª série do 1º grau. Brasília: MEC/ SEE, 1998.

PRATA, Mário. Avestruz. 5ª série/6º ano. vol. 2. Caderno do aluno (p. 9) e Caderno do professor (p. 18).

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Sequência Didática - "Avestruz"

Interdisciplinaridade - Para iniciarmos, optamos por um trabalho introdutório (pretexto), que teria como fator de motivação inicial uma visita ao zoológico. Da mesma surgiriam, com o auxílio dos especialistas de todas as áreas, fichas técnicas produzidas pelos alunos (caso não fosse possível a visitação, trabalharíamos com documentários). Em um segundo momento, com base nas informações de tais fichas, as crianças produziriam o “Você Sabia?”

CrônicaDe posse dos pré-requisitos necessários, apresentaríamos o texto “Avestruz”, de Mario Prada. Faríamos o estudo do texto, sempre puxando do aluno, através de perguntas reflexivas, o maior grau de compreensão possível. Em seguida, objetivando a apreensão do gênero textual em questão, trabalharíamos outras crônicas para concretizar a estrutura e características típicas do gênero.

IntertextualidadeApós fixados os conceitos quanto ao gênero crônica, entraríamos em uma nova etapa, na qual os aspectos semânticos estariam em destaque, a saber, buscaríamos textos de diferentes gêneros, mas com conteúdo semelhante para trabalharmos o conceito de intertextualidade, de estilo, estética. Essa etapa seria finalizada com a produção coletiva de uma crônica.

Aspectos culturaisO trabalho teria sua continuidade com um levantamento acerca do tipo de animal de estimação as crianças possuem (produção de gráfico), destacando a relação de afetividade existente entre animais de estimação e seus responsáveis. Cabe ressaltar que o termo “responsável” será utilizado, inicialmente por se tratar de uma verdade, mas também para introduzir a sequência seguinte. Seria, então, solicitada uma pesquisa sobre animais de estimação de outras culturas. Após socialização, assistiríamos ao filme “As aventuras de PI”. Cabe salientar que as diferenças culturais são o foco do trabalho, visto que é função da escola o trabalho com valores e atitudes. Aqui, sistematizaríamos o trabalho com um relato sobre as impressões das crianças diante da diversidade.



ResponsabilidadePara finalizar, os alunos fariam uma pesquisa sobre quais os cuidados necessários a serem adotados por aqueles que desejam ter um animal de estimação. Produziram uma campanha informativa e divulgariam pela escola, através de cartazes.

Produção final Os alunos, para concluir a sequência, produziriam suas crônicas, individualmente.

quinta-feira, 6 de junho de 2013


Gosto muito de saber como as pessoas tiveram contato com os livros e propriamente com a leitura, são histórias distintas, mas ao final estamos aqui nos encontrando na área da educação - língua portuguesa.
Eu ganhei meu primeiro livro aos 10 anos, foi um livro muito lindo e interessante - João e o Pé de Feijão,  ganhei de uma amiga da minha irmã, Daniele. E foi apaixonante... Olhava, lia, apreciava, folheava, relia... Foi uma experiência impar. 
Como a maioria das minhas colegas de curso não tinha muito contato com os livros.
Quando estava no ensino fundamental I as  professoras até liam algumas histórias e livros para gente, mas não podíamos pegar e aprecia. Eu queria pegar, "olhar com as mãos", não bastava só ver de longe, enquanto a professora lia, mas hoje eu entendo as professoras, às vezes o livro nem era delas, a escola também não dispunha de acervos, era tudo mais difícil do que hoje.

Mas hoje me alegro em saber que os livros estão e são mais acessíveis a todos, e meu filhinho com três anos já tem vários livros e espero que ele goste de ler.


O prazer pela leitura, muitas vezes, nasce de um incentivo.    Lembro-me, como se fosse ontem, de minha professora da 4° série lendo para a classe, todos os dias, ao final de cada aula. Ela iniciou com o livro “Tistu, o menino do dedo verde”. Apaixonei-me, rapidamente, pela leitura, porém com certa dificuldade. Mesmo, assim, nasceu uma imensa curiosidade em conhecer mais desse “Universo Mágico” das personagens das histórias lidas pela professora e o prazer pela leitura e, junto com a leitura, o gosto, também, pela escrita, ainda que, de uma forma bastante tímida.
Teresinha de Oliveira Carmo

Infelizmente não tenho recordações com a leitura e escrita na minha infância, porém na minha adolescência meus pais incentivavam e cobravam que eu estudasse. Sempre fui cobrado e incentivado a frequentar as aulas e estudar, e na época as notas altas eram importantes, mais a prática da leitura em si, não tinha incentivo e  na escola não me lembro de nenhum professor que incentivasse a leitura ou fizesse algo para despertar o desejo e interesse pela leitura. Comecei a ser despertar o interesse pela escrita e leitura na minha fase adulta, ou melhor, na Universidade. Entendo a importância e o significado da leitura e escrita na vida do ser humano e quando descobri que na minha disciplina o que dificultava a aprendizagem dos alunos, era a leitura e interpretação dos enunciados iniciei a partir deste diagnóstico o meu olhar clínico quanto importante é a leitura e a escrita para o desenvolvimento do aprendizado e do conhecimento humano. Comecei também a perceber que a leitura e escrita era importantíssima. Hoje faço de tudo nas minhas aulas para incentivar os alunos quanto a prática da leitura, seja de qualquer gênero textual, textos curtos ou longos, revistas, jornais, gibis ou livros. Sempre incentivarei a prática da leitura. 

Wellington de Melo Brito